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2016 – Tempo de buscar a tolerância

As redes sociais mostraram recentemente um filme em que o compositor Chico Buarque estava saindo de um restaurante no Rio e foi interpelado por um grupo de jovens da classe alta, que começou a discutir com ele por conta de suas posições políticas, e por sua defesa ao PT.

Percebo que vivemos num tempo de grande amargura; quando pessoas estão com o pavio curto e preparadas para a agressão por muito pouco.

Discute-se hoje o conceito de “tolerância”. Mas, o que é tolerância?
Tolerar não significa que temos que concordar com as pessoas ou gostar de suas posições ideológicas. Tolerar significa que, a despeito de discordarmos completamente, devemos respeitar o outro na liberdade de crer e defender as próprias ideias.

A intolerância é provocada por uma visão reducionista. Quando discordamos de algum ponto de vista de alguém, reduzimos a nossa visão deles ao aspecto da nossa discórdia, e frequentemente, cometemos injustiça por causa do preconceito. Deixe-me usar o exemplo do Chico Buarque. Ainda que não concorde com o posicionamento dele quanto ao PT, não posso me esquecer do quanto ele significou para a nação brasileira, principalmente nos anos sombrios da ditadura militar, quando as pessoas eram presas, torturadas e mortas por causa de suas convicções políticas.

Se hoje podemos nos expressar, e até mesmo criticar duramente o governo, devemos a todos os que lutaram pela democracia, dentre os quais, o Chico é um dos principais expoentes.
A intolerância tem dominado muitos setores da sociedade. No setor religioso, cristãos que deveriam propagar o amor de Cristo se digladiam por causa de diferenças teológicas, eclesiásticas e comportamentais.

A sociedade brasileira também tem se dividido nas questões morais. De um lado, os cristãos defendendo a estrutura da família segundo a Bíblia; do outro, aqueles que os acusam de homofobia, e de intolerância, simplesmente por não aceitarem as mudanças por eles propostas.
Será que a intolerância é a causa de todas as guerras ou é a exteriorização de uma insatisfação essencial que domina a alma humana; a manifestação da profunda decepção do homem com o seu semelhante, e consigo mesmo?

Não podemos nos esquecer que a intolerância é a arma do ódio, da segregação, do preconceito e do desamor. Intolerância não combina com o Evangelho de Cristo.
O Evangelho não constrói muros, mas edifica pontes; não é coercitivo, mas opcional. Cristo se alegra imensamente quando alguém decide seguir o seu caminho voluntariamente, e nunca, em hipótese alguma, deixa de amar os que o rejeitam.

Por isso, não basta ter a teologia correta; é necessário termos a “praxis” adequada. Fundamentalismos exacerbados matam em nome de Deus.

O que espero para o ano de 2016?

Um tempo muito duro, com impactos profundos na economia brasileira, mas, também, um ano de grandes oportunidades para anunciarmos o amor de Cristo.

Não se esqueçam, Jesus disse que seríamos conhecidos como seus discípulos se nos amássemos uns aos outros. Detalhe importante, isso inclui aqueles de quem discordamos profundamente!

Por Lamartine Posella

Oração 3
Retrospectiva 2015

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